Correr na chuva

Celi Oberding – Alemanha

“Um dia de chuva é tão belo quanto um dia de sol. Ambos existem, cada um como é”. Fernando Pessoa

Quando a gente faz o que realmente gosta não tem clima que possa atrapalhar ou fazer a gente desistir. Acredito que depende muito de como encaramos o dia a dia, vai muito ao encontro dos nossos pensamentos e da nossa energia.

Pensar na importância que tem os dias de chuva para a natureza faz a gente rever nossas atitudes.

Desde que mudei para a Alemanha observei o quanto as estações do ano são marcantes e há como aproveitá-las ao máximo, fazendo as possíveis adaptações (em relação ao esporte, passeios, vestimentos e alimentação). Nos primeiros anos, confesso que não entendia muito quando via as pessoas de biquíni no jardim ou as pessoas caminhando pelos bosques. Mas elas, ou melhor, os alemães, sabem aproveitar o que tem de belo e especial em cada dia. Isso podemos aprender com eles.

 Vivem intensamente cada estação do ano.

Se teve algo que tive que me adaptar foi em relação ao clima: Correr na Chuva e Correr na Neve. O que fazer se tem vários dias assim? Desistir, ficar na cama e esperar a estação do ano passar? Lógico que não porque a vida continua, os compromissos e todos nossos objetivos / sonhos. Por isso, o que vale realmente são as adaptações em relação ao que vestir para correr e os cuidados logo que voltar para casa (banho morno e colocar uma roupa seca).

Precisamos pensar como podemos aproveitar um dia assim.

Eu costumo sair de casa para correr todos os dias por volta das 5:15 da manhã, na atual estação de verão o dia está começando a ficar claro, o que já considero um aspecto positivo aqui na Alemanha. Tem dia que dá vontade de ficar mais meia hora na cama, mas quando lembro da satisfação, alegria ao final do treino e de toda a energia que tenho para começar o dia no trabalho; só vejo uma alternativa: Vestir a roupa apropriada, fazer um coque no cabelo para não embaraçar daquele jeito e sair na chuva ou na neve para correr.

Correr na chuva tem sido um momento único de descoberta para mim.

Não que chova muito por aqui, mas nesse mês coincidiu de chover várias vezes no horário que corro todos os dias. Passei a aproveitar o que a natureza oferece: ouvir o barulho da chuva, observar as goteiras, o movimento que a chuva faz na água do rio Danúbio, os pássaros banhando-se e praticamente dançando num movimento de voar para lá e para cá, o caminho vazio, o barulho dos meus pés em contato com as poças no chão, o contato da roupa molhada e meu corpo, o rosto molhado e a água escorrendo, o ar fresco; enfim, passei a sentir de verdade o que é correr num dia de chuva.

Uma energia, sensação pessoal e intransferível, como um momento de meditação com uma música de fundo, só que em movimento.

Nossa vontade, coragem e metas superam os imprevistos que acontecem no dia a dia, superam um dia de chuva ou de neve principalmente se tivermos um olhar especial para a natureza, se estivermos em busca de algo além do simplesmente se movimentar ou se molhar. Experimente! Seja onde for a gente pode começar com um dia assim…

“Uns sentem a chuva, outros apenas se molham”. Roger Miller

Celi Oberding, 42 anos, brasileira que mora na Alemanha há 10 anos e 8 meses. Educadora. Instagram celicristina_

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Wanderlei Oliveira

Técnico fundador do Clube Corpore, em 1982, e do Pão de Açúcar Club, em 1992. Desde 2000 é comentarista e blogueiro.

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Wanderlei Oliveira

 

Iniciou no atletismo em 1965. Já percorreu o equivalente à três voltas ao redor do planeta Terra. Técnico fundador do Clube Corpore, em 1982, e do Pão de Açúcar Club, em 1992. Desde 2000 é comentarista e blogueiro.

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