A energia da São Silvestre

Atletismo
Corrida Internacional de São Silvestre 2018

O medalhista de ouro nos 800 metros nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, nos Estados Unidos em 1984, Joaquim Cruz sempre foi questionado por não correr a famosa São Silvestre. O dia que correu ninguém mais perguntou.

Para o brasileiro, todo corredor têm que participar um dia da São Silvestre, foi o que fez a profissional de marketing Paula Narvaez. Acompanhem seu emocionante relato sobre a corrida mais importante da America Latina.

”Esse ano comemoro 10 anos na corrida, e finalmente resolvi uma pendência na minha vida de corredora: participar da São Silvestre. Sempre tive aquela imagem distorcida da prova, achando que era bagunçada, cheia de multidão, anda/caminha e questões logísticas.
E talvez seja, não posso negar que ter largado de um lugar bem privilegiado, ao lado da Polícia Militar e logo atrás da elite masculina, provavelmente tenha feito bastante diferença na minha prova. Mas a vida é assim, e quando ela me manda alguma oportunidade muito boa como essa, tento escrever histórias legais.
Eu não tenho o hábito de estudar percursos, no máximo dou uma olhada para saber mais ou menos onde são os pontos principais, até para conseguir dosar melhor minha energia, e dessa vez não foi diferente.
No dia anterior conversei com meu técnico Wanderlei Oliveira, e sabia que precisava largar forte, segurar na descida do Pacaembu, manter entre 4:30 e 5:00 por km até a Brigadeiro, e orar na subida para ver o que Deus fazia.
Larguei com a grande amiga e pediatra do meu filho, Dra Flavia Oliveira, e digo para vocês que não é difícil largar forte não. A energia dos primeiros 2km da corrida é algo que eu nunca tinha visto antes, nem nas grandes maratonas. Muita gente gritando e torcendo, muita imprensa e corredores muito animados.
Eu me sentia num dia muito bom, minhas pernas estavam leves e corri marota sob o sol escaldante que adoro! Estava com muita saudade de me sentir assim, correndo solta e leve numa prova.
Fui curtindo mas fui firme, e fiz os 3 primeiros kms a 4:25 / 4:11 e 4:16 respectivamente. Estava tão gostoso que assumi o risco de não segurar na descida, e ver o que acontecia. Foi tranquilo, passei a prova inteira administrando o ritmo para não ir forte nem fraco demais, e fora isso pude curtir as particularidades de cada lugar que passava.
Aliás, o que eu curti mesmo foram as particularidades dos grupos de pessoas de cada região, e eu que achava que bastava correr pelos bairros de SP para conhecer a cidade, aprendi que nada substitui as pessoas.
E o que mais curti durante o percurso foi me conectar com cada região, através da energia das pessoas. 
Nos primeiros kms muita gente misturada, na Av Pacaembú muitas famílias com crianças e idosos, na Barra Funda muita gente que estava no intervalo do trabalho + as torcidas organizadas do Palmeiras e Corinthians, no Centro (meu preferido) os bêbados que ora corriam ao nosso lado, e as travestis dando hi-5, e na subida da Brigadeiro muita gente misturada, assessorias de corrida, famílias dos corredores e muita torcida.
Gostaria de ter feito em 1:10 (meu tempo foi de 1:13) mas acho que os minutos que “gastei” viajando em tudo que acontecia ao meu redor valeram à pena. Foi muito bom redescobrir, depois de ter neném, como adoro correr e ter a certeza absoluta que não posso parar. 
Os objetivos podem mudar, mas o amor que nos faz não parar nunca não mudam. Por isso curta! Nunca deixe de curtir cada momento de cada km que você tem pela frente. É isso que não vai te deixar parar nunca.”
Namastê! Mamãe voltou!

Paula Narvaez, 35, em 2014 correu a Maratona de Chicago em 3 horas e 23 minutos.

Sobre o autor

Wanderlei Oliveira

Wanderlei Oliveira

Técnico fundador do Clube Corpore, em 1982, e do Pão de Açúcar Club, em 1992. Desde 2000 é comentarista e blogueiro.

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